A preparação de TI para a Reforma Tributária ainda está atrasada em grande parte das médias e grandes empresas. Segundo levantamento da Roit, apenas 1% das companhias pesquisadas considera sua área de tecnologia pronta para lidar com a transição entre o sistema atual e as novas regras tributárias.
A pesquisa ouviu 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia entre maio e junho de 2026. Juntas, as empresas participantes representam mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais .
Além do desafio tecnológico, os números revelam outro problema: muitas empresas ainda não sabem como as mudanças poderão afetar seus resultados.
Quando o levantamento analisou o estágio de adaptação tecnológica, apenas 1% das empresas declarou estar pronta.
Enquanto isso, 40% ainda estavam planejando as adequações e 31% já tinham iniciado as mudanças. Outros 14% se consideravam despreparados e 13% ainda não haviam começado a discutir o assunto.
Na prática , a preparação tecnológica vai muito além da troca de códigos tributários.
ERPs, emissores fiscais, cadastros, integrações e sistemas financeiros precisarão acompanhar as novas regras e a convivência entre diferentes modelos durante a transição.
As mudanças já chegaram à rotina das empresas em 2026.
Documentos fiscais eletrônicos vêm recebendo novos campos, regras e estruturas relacionadas ao IBS e à CBS. Além disso, órgãos responsáveis pela implantação já disponibilizaram atualizações técnicas, APIs e novos leiautes.
Por isso , deixar a adequação para 2027 pode reduzir o tempo disponível para testes.
A empresa precisa verificar se seus sistemas conseguem receber, processar e transmitir corretamente as novas informações.
Além disso , uma alteração tributária pode atingir várias etapas da operação, desde o cadastro do produto até a emissão fiscal, escrituração e conciliação.
O atraso não aparece somente na tecnologia.
Segundo a pesquisa, 24% das empresas ainda não fizeram qualquer simulação dos impactos financeiros da mudança.
Entre as companhias que já realizaram algum estudo, 49% fizeram apenas análises preliminares. Outros 19% utilizaram dados estruturados, enquanto apenas 9% chegaram a análises detalhadas por produto ou fornecedor.
Esse detalhe importa , porque diferentes operações podem apresentar tratamentos tributários distintos.
Assim, uma simulação muito ampla pode esconder alterações relevantes em custos, créditos e margens.
Outro resultado chama atenção: 37% das empresas ainda não avaliaram o impacto do split payment sobre o capital de giro .
O mecanismo prevê a segregação dos valores correspondentes aos novos tributos durante a liquidação financeira, conforme as regras de implementação.
Consequentemente , o efeito não ficará restrito ao departamento fiscal.
Tesouraria, financeiro, controladoria e contabilidade também precisam participar das simulações para entender como o novo fluxo de recursos poderá afetar o caixa.
Consulte a Lei Complementar nº 214/2025 e as regras da Reforma Tributária.
A pesquisa mostra ainda que 34% das empresas não sabem como seus preços poderão mudar em 2027 .
Além disso, 27% ainda não sabem se suas margens de lucro aumentarão, cairão ou permanecerão próximas do nível atual.
Dessa forma , a preparação tecnológica precisa caminhar junto com a análise comercial e financeira.
A empresa terá de avaliar custos, créditos tributários, fornecedores e capacidade de repassar mudanças para o preço final.
Sem esse trabalho, o negócio pode chegar a 2027 sem saber quanto realmente ganhará em cada operação.
Os contratos também aparecem como ponto de atenção.
Segundo o levantamento, 37% das empresas ainda não revisaram seus contratos considerando as novas regras tributárias.
Esse cuidado importa principalmente em contratos de longo prazo, nos quais preços e condições comerciais foram definidos com base na estrutura tributária atual.
Por isso , cláusulas relacionadas a tributos, reajustes, repasses e responsabilidades precisam entrar na análise.
A adequação interna não resolve todo o problema.
Grande parte das empresas pesquisadas considera seus fornecedores pouco ou nada preparados para as mudanças.
Esse ponto ganha importância porque a qualidade das informações fiscais de um fornecedor pode afetar outras empresas da cadeia.
Assim , a preparação tecnológica também precisa considerar parceiros estratégicos.
A empresa deve avaliar se seus principais fornecedores conseguirão emitir documentos e fornecer informações compatíveis com os novos processos.
A adaptação pode começar com quatro frentes.
Primeiro , a empresa deve mapear seus sistemas, integrações e documentos fiscais.
Depois , precisa simular os impactos sobre preços, margem, caixa e capital de giro.
Em seguida , deve revisar contratos e avaliar a preparação dos principais fornecedores.
Por fim , todas essas informações precisam chegar às equipes de tecnologia, fiscal, contábil e financeira para que os ajustes ocorram de forma integrada.
Dessa maneira , a empresa deixa de tratar a mudança como um projeto exclusivamente fiscal e passa a enxergá-la como uma transformação operacional.
O levantamento mostra que o problema não está apenas na falta de sistemas adaptados.
Muitas empresas também ainda não calcularam os efeitos financeiros, não revisaram contratos e não entenderam como o split payment poderá afetar o capital de giro.
Portanto , a preparação de TI para a Reforma Tributária precisa acontecer junto com o planejamento financeiro, fiscal e comercial.
Quanto mais cedo a empresa testar seus sistemas e simular os impactos, maior será sua capacidade de corrigir problemas antes que eles afetem a operação.
A Ledware oferece soluções para empresas e escritórios contábeis organizarem informações fiscais, contábeis e administrativas, ajudando a integrar processos e reduzir retrabalho durante as mudanças tributárias.
Fontes: levantamento Roit e legislação oficial da Reforma Tributária.
24 de setembro de 2026