O CPC 51 traz uma nova estrutura para a apresentação e divulgação das demonstrações contábeis. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis aprovou a norma em 2025, e o pronunciamento passou a integrar as normas brasileiras de contabilidade em 2026. A NBC TG 51 , publicada pelo CFC, corresponde ao CPC 51 e possui correlação com a IFRS 18 .
Para as companhias abertas, a CVM determinou a adoção do CPC 51 para exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2027 . A IFRS 18 também terá aplicação obrigatória para períodos anuais iniciados a partir dessa data.
Por isso , 2026 é um período importante para revisar processos, plano de contas, sistemas e informações comparativas.
O CPC 51 estabelece novos requisitos para apresentação e divulgação das demonstrações contábeis .
A norma brasileira acompanha a IFRS 18, que substituiu a IAS 1 no padrão internacional. Entre os principais objetivos estão melhorar a comparabilidade das demonstrações e tornar mais clara a forma como as empresas apresentam seu desempenho financeiro.
Na prática , a mudança vai além de alterar a disposição visual da DRE. A empresa precisará revisar como classifica, agrupa e explica suas receitas e despesas.
Uma das mudanças mais relevantes aparece na Demonstração do Resultado do Exercício .
A nova estrutura organiza receitas e despesas em categorias, incluindo:
Além disso, a norma exige novos subtotais, incluindo o lucro ou prejuízo operacional e o lucro ou prejuízo antes de financiamento e tributos sobre o lucro .
Assim , empresas que hoje utilizam estruturas internas muito diferentes precisarão verificar se seus dados permitem montar a nova apresentação.
O lucro operacional passa a ocupar uma posição importante dentro da nova DRE.
A empresa precisará classificar receitas e despesas de acordo com a natureza de cada operação e com as categorias estabelecidas pelo CPC 51.
Consequentemente , o plano de contas e os critérios utilizados no fechamento contábil ganham mais importância.
Uma conta excessivamente genérica pode dificultar a correta classificação posterior.
O CPC 51 também trata das chamadas medidas de desempenho definidas pela administração , conhecidas internacionalmente como MPMs.
São medidas utilizadas publicamente pela administração para comunicar sua visão sobre determinado aspecto do desempenho financeiro e que não correspondem diretamente aos subtotais exigidos pelas normas contábeis.
Isso pode alcançar determinadas métricas ajustadas divulgadas em relatórios, apresentações a investidores e outras comunicações públicas.
Por isso , não basta calcular o indicador.
Quando uma medida se enquadrar nas regras, a empresa deverá explicar como calcula o indicador e apresentar a reconciliação exigida com o subtotal mais diretamente comparável definido pelas normas.
Outro ponto relevante envolve a forma como as informações aparecem nas demonstrações.
A IFRS 18 reforça os critérios de agregação e desagregação , buscando evitar tanto o excesso de informações quanto agrupamentos que escondam elementos relevantes.
Dessa forma , expressões genéricas como “outros” precisam receber atenção.
A empresa deverá avaliar se determinados valores possuem características suficientemente semelhantes para permanecerem agrupados ou se precisam aparecer separadamente.
Por isso , manter informações detalhadas e rastreáveis desde o lançamento contábil pode facilitar bastante a adoção da nova norma.
O impacto do CPC 51 não termina na DRE.
A IFRS 18 trouxe alterações relacionadas à Demonstração dos Fluxos de Caixa . No método indireto, o ponto de partida passa a ser o lucro ou prejuízo operacional. Além disso, ocorreram alterações relacionadas à classificação de determinados juros e dividendos.
Assim , empresas que geram a DFC automaticamente precisam verificar se seus sistemas conseguem produzir os relatórios conforme a nova estrutura.
Aqui está um dos pontos mais importantes para a implementação.
O CPC 51 aumenta a necessidade de rastrear a origem, a natureza e a classificação das receitas e despesas.
O sistema contábil precisa fornecer informações suficientes para responder perguntas como:
Por isso , um sistema que apenas registra lançamentos pode não ser suficiente para uma implementação eficiente.
O CPC 51 mostra que a adaptação normativa também depende de tecnologia e organização dos dados. Além disso, empresas e escritórios precisam trabalhar com informações estruturadas para gerar relatórios, demonstrações e comparativos com segurança.
Veja como escolher um sistema contábil em 2026 diante das novas exigências e mudanças tributárias
O conteúdo da Ledware aborda justamente a importância de avaliar integração, atualização, segurança, capacidade de adaptação e estrutura tecnológica antes de escolher ou manter um sistema contábil.
O CPC 51 não determina que toda empresa simplesmente substitua seu plano de contas.
Entretanto , cada entidade precisa avaliar se sua estrutura atual permite produzir as informações exigidas pela nova norma.
Se uma única conta reúne operações com características muito diferentes, a empresa pode precisar melhorar sua estrutura de classificação e seus controles auxiliares.
Além disso , centros de custo, dimensões gerenciais e relatórios internos precisam conversar com a estrutura utilizada nas demonstrações.
Outro ponto importante está na aplicação retrospectiva da IFRS 18.
As empresas precisam preparar informações comparativas conforme a nova base de apresentação.
Por isso , esperar o fechamento de 2027 para começar a organização pode gerar retrabalho.
A empresa precisa preservar os dados necessários para reconstruir os períodos comparativos e realizar as reclassificações exigidas.
Assim , dados históricos detalhados se tornam um ativo importante durante a transição.
A preparação pode começar com um diagnóstico simples.
Primeiramente , a empresa deve mapear as receitas e despesas que compõem sua DRE.
Depois , precisa comparar essa estrutura com as categorias e subtotais exigidos pelo CPC 51.
Em seguida, vale revisar:
Além disso , as equipes contábil, financeira e de tecnologia devem trabalhar em conjunto para identificar eventuais lacunas.
A nova norma muda a forma de apresentar o desempenho financeiro e aumenta a importância da qualidade dos dados.
De um lado , a DRE terá uma estrutura mais organizada.
De outro , as empresas precisarão explicar melhor determinadas métricas e fornecer informações mais detalhadas sobre sua composição.
Portanto , a adaptação não deve ficar restrita ao contador responsável pela elaboração das demonstrações.
Sistemas, processos e controles internos também precisam acompanhar a mudança.
Para companhias abertas, a CVM estabeleceu a aplicação do CPC 51 para exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2027 .
No padrão internacional, a IFRS 18 também começa sua aplicação obrigatória em 1º de janeiro de 2027, com aplicação retrospectiva.
Já a NBC TG 51 , publicada pelo CFC, corresponde ao CPC 51 e à IFRS 18.
Assim , empresas que estão sujeitas à nova norma precisam utilizar 2026 para preparar processos, dados e sistemas.
O CPC 51 não representa apenas uma mudança na aparência das demonstrações contábeis.
A norma altera a apresentação da DRE, introduz novos subtotais, amplia as regras de divulgação de determinadas medidas de desempenho e reforça os critérios de agregação e desagregação.
Além disso, a implementação exige atenção aos dados comparativos e à estrutura utilizada pelos sistemas contábeis.
Por isso , empresas e escritórios que precisam aplicar a norma devem começar agora a revisar plano de contas, relatórios, processos de fechamento e tecnologia.
A Ledware acompanha as mudanças nas normas contábeis e nas tecnologias utilizadas por empresas e escritórios, ajudando profissionais a organizar informações e processos diante de novas exigências.
Fontes: Comitê de Pronunciamentos Contábeis, Comissão de Valores Mobiliários, Conselho Federal de Contabilidade e IFRS Foundation.
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