Prevenção à lavagem de dinheiro: papel do contador

Prevenção à lavagem de dinheiro: papel do contador

A prevenção à lavagem de dinheiro está ganhando espaço nas discussões sobre o futuro da atividade contábil. Em 2 de setembro de 2026, o CRCSP recebeu o Seminário de Integridade e Compliance Contábil, que reuniu especialistas para discutir justamente o papel estratégico do contador no combate a operações ilícitas.

Além disso, o Ibracon participou do encontro e destacou temas como governança, ética, conformidade, segurança jurídica e mecanismos de mitigação de riscos. A programação também abordou a Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FTP) e situações que exigem maior atenção dos profissionais.

Por isso, a discussão vai muito além da obrigação de cumprir uma norma. Na prática, a prevenção à lavagem de dinheiro também envolve controles, análise de informações, documentação e capacidade de identificar situações atípicas.

O contador ocupa uma posição estratégica dentro das empresas e dos escritórios porque acompanha informações financeiras, patrimoniais, societárias e fiscais.

Consequentemente, esse acesso permite identificar inconsistências que poderiam passar despercebidas em outras áreas.

A prevenção à lavagem de dinheiro parte justamente dessa capacidade de reconhecer situações que não combinam com o perfil econômico ou operacional de determinado cliente.

Por isso, o profissional precisa olhar além do registro contábil. Ele também deve considerar a origem dos recursos, a natureza das operações e a coerência entre os documentos apresentados.

Além disso, a análise precisa ocorrer de forma contínua, e não apenas quando surge uma situação claramente suspeita.

PLD/FTP significa Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo .

Nesse contexto, os mecanismos de PLD/FTP buscam impedir que estruturas empresariais, financeiras ou profissionais sejam utilizadas para ocultar a origem de recursos ilícitos, movimentar valores de forma irregular ou dar aparência legal a operações criminosas.

No ambiente contábil, isso significa observar operações que apresentem características incompatíveis com as informações conhecidas sobre o cliente.

Por exemplo, movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento, alterações societárias atípicas ou operações sem justificativa econômica podem exigir uma análise mais cuidadosa.

Entretanto, o profissional não deve presumir automaticamente que uma operação irregular representa lavagem de dinheiro.

Assim, o papel do contador é identificar riscos, documentar a análise e cumprir as obrigações aplicáveis à sua atuação.

O Conselho Federal de Contabilidade informa que a Resolução CFC nº 1.721/2024 estabelece obrigações para profissionais com responsabilidade técnica e organizações contábeis abrangidos pela norma.

Além disso, essas obrigações incluem situações relacionadas a serviços de escrituração contábil e fiscal, assessoria, consultoria e auditoria de natureza contábil, entre outras atividades previstas.

Da mesma forma, o CFC destaca que determinadas organizações e profissionais precisam realizar comunicações nos casos previstos pela regulamentação.

Dessa maneira, a prevenção à lavagem de dinheiro deixa de ser apenas uma preocupação institucional e passa a fazer parte da rotina de conformidade de determinados profissionais e escritórios.

O CFC lista atividades que podem envolver riscos relevantes dentro da regulamentação de PLD.

Entre elas estão operações de:

Portanto, o profissional deve conhecer o perfil de atuação de cada cliente.

Além disso, uma operação perfeitamente compatível com determinada empresa pode apresentar risco maior quando outra organização, com estrutura, faturamento ou atividade completamente diferentes, realiza a mesma operação.

Um dos conceitos importantes para os profissionais é a abordagem baseada em risco .

Em vez de aplicar exatamente o mesmo nível de controle a todos os clientes e operações, o escritório pode direcionar maior atenção para situações com maior exposição.

Além disso, essa abordagem permite concentrar recursos nos casos que apresentam maior probabilidade de inconsistência.

Na prática, o escritório pode avaliar fatores como atividade econômica, estrutura societária, perfil financeiro, complexidade das operações e comportamento transacional.

Assim, a equipe consegue concentrar esforços onde existe maior probabilidade de risco.

Não existe um único indicador capaz de provar que uma operação é ilícita.

No entanto, alguns sinais podem justificar uma análise adicional.

Entre eles, podem aparecer:

Operações incompatíveis com o perfil do cliente

Movimentações muito superiores ao faturamento ou à estrutura econômica conhecida merecem atenção.

Alterações societárias frequentes

Mudanças recorrentes de sócios, administradores ou estruturas empresariais podem exigir explicação adicional, dependendo do contexto.

Operações sem justificativa econômica clara

Quando a documentação não explica adequadamente uma movimentação, o profissional pode precisar solicitar informações complementares.

Uso de estruturas complexas

Empresas, participações e operações sucessivas podem aumentar a dificuldade de identificar a origem e o destino dos recursos.

Informações inconsistentes

Diferenças entre documentos fiscais, contábeis, bancários e societários também podem indicar necessidade de revisão.

Ainda assim, nenhum desses sinais deve gerar uma conclusão automática. O contexto da operação continua essencial.

A análise não termina quando o contador percebe uma inconsistência.

Depois disso, também é importante manter registros das informações analisadas, das justificativas apresentadas pelo cliente e das providências adotadas pelo escritório.

Dessa forma, a organização documental ajuda a demonstrar que a equipe avaliou a situação de acordo com os procedimentos aplicáveis.

Além disso, documentos bem organizados facilitam revisões futuras e reduzem a dependência da memória dos profissionais.

Por isso, contratos, documentos societários, informações cadastrais e registros das operações precisam permanecer acessíveis e atualizados.

Essa é uma interpretação que merece cuidado.

O contador não deve assumir o papel de investigador criminal nem concluir, por conta própria, que determinado cliente cometeu um crime.

Em vez disso, a responsabilidade profissional está relacionada ao cumprimento das regras aplicáveis à atividade e às comunicações previstas na regulamentação.

O CFC mantém uma estrutura específica para orientar os profissionais sobre as declarações e comunicações relacionadas à lavagem de dinheiro.

Assim, diante de uma situação de risco, o profissional deve seguir os procedimentos estabelecidos pelas normas e buscar orientação técnica quando necessário.

Uma política de prevenção à lavagem de dinheiro não precisa começar com processos excessivamente complexos.

Primeiramente, o escritório pode estruturar controles básicos e, posteriormente, evoluir conforme o risco.

1. Conheça o cliente

Mantenha dados cadastrais, atividade econômica, estrutura societária e informações relevantes atualizados.

2. Entenda o perfil financeiro

Procure conhecer o volume e a natureza das operações normalmente realizadas pelo cliente.

3. Defina sinais de alerta

Estabeleça situações que demandem análise adicional.

4. Registre as verificações

Documente análises, documentos recebidos e decisões tomadas.

5. Controle acessos às informações

Limite o acesso aos dados de acordo com as funções dos colaboradores.

6. Atualize a equipe

Mantenha os profissionais informados sobre mudanças normativas e procedimentos internos.

A quantidade de informações analisadas por um escritório pode dificultar o controle manual.

Em uma carteira com muitos clientes, acompanhar alterações cadastrais, operações financeiras e documentos exclusivamente por planilhas pode aumentar o risco de falhas.

Por isso, a tecnologia pode ajudar na prevenção à lavagem de dinheiro ao centralizar informações e tornar os processos mais rastreáveis.

Além disso, sistemas integrados facilitam consultas e permitem que a equipe trabalhe com informações mais organizadas.

Entretanto, a tecnologia não substitui a avaliação profissional.

Por esse motivo, o sistema pode organizar dados e facilitar a identificação de inconsistências, mas o contador continua responsável por interpretar a situação e seguir as regras aplicáveis.

Quando o escritório consegue identificar quem incluiu determinada informação, quando realizou uma alteração e quais documentos sustentam o lançamento, o processo se torna mais transparente.

Além disso, essa rastreabilidade ajuda não apenas na prevenção à lavagem de dinheiro , mas também em outras áreas de controle e conformidade.

Consequentemente, processos rastreáveis reduzem o risco de perda de informações durante mudanças de equipe ou períodos de alta demanda.

Por isso, manter histórico e documentação organizada pode representar uma vantagem operacional importante.

A principal mudança está na necessidade de tratar conformidade como um processo permanente.

O contador não precisa apenas registrar operações.

Além disso, precisa conhecer o cliente, entender sua atividade e observar se os dados que recebe fazem sentido dentro daquele contexto.

Também é necessário que o escritório defina procedimentos para situações que apresentem maior risco.

Dessa forma, a prevenção à lavagem de dinheiro passa a integrar a gestão do escritório, junto com controles internos, segurança da informação e qualidade dos dados.

O primeiro passo é explicar aos colaboradores por que os controles existem.

Depois, o escritório pode estabelecer procedimentos simples para cadastro, atualização de informações, identificação de situações atípicas e registro das análises.

Além disso, treinamentos periódicos ajudam a reduzir interpretações equivocadas.

A capacitação também permite que profissionais mais novos entendam rapidamente os procedimentos adotados pelo escritório.

O debate promovido pelo CRCSP e pelo Ibracon mostra, ainda, que atualização profissional, ética e gestão de riscos ocupam espaço crescente na agenda da contabilidade.

A governança empresarial depende de informações confiáveis e processos capazes de reduzir riscos.

Por isso, controles relacionados à prevenção à lavagem de dinheiro podem contribuir para uma estrutura de governança mais sólida.

Além de atender às exigências regulamentares, uma política consistente pode melhorar a qualidade das informações utilizadas nas decisões.

Consequentemente, o escritório passa a atuar de maneira mais estratégica.

Esse posicionamento também aumenta a percepção de valor do serviço contábil, especialmente para clientes que trabalham com operações complexas.

A discussão sobre PLD/FTP mostra que a atividade contábil está ampliando sua responsabilidade sobre informações e controles.

Por isso, escritórios precisam combinar conhecimento técnico, procedimentos internos e tecnologia.

Além disso, quanto maior a carteira de clientes, maior tende a ser a necessidade de padronizar processos.

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Confira os principais critérios para escolher um sistema contábil em 2026 e veja como avaliar atualização, suporte, produtividade e estrutura antes de tomar uma decisão.

A prevenção à lavagem de dinheiro ocupa um espaço cada vez mais relevante na atividade contábil.

Além disso, o debate realizado pelo CRCSP e pelo Ibracon em setembro de 2026 reforça que o contador precisa compreender não apenas os registros financeiros, mas também os riscos, controles e responsabilidades relacionados à conformidade.

O CFC também mantém regras específicas para profissionais e organizações contábeis abrangidos pela Resolução CFC nº 1.721/2024, incluindo obrigações de comunicação previstas pela regulamentação.

Na prática, isso significa conhecer melhor o cliente, acompanhar operações, manter documentação organizada e estabelecer procedimentos proporcionais aos riscos identificados.

Por outro lado, a tecnologia pode ajudar nesse processo ao centralizar informações, melhorar a rastreabilidade e reduzir tarefas manuais.

Porém, nenhum sistema substitui o julgamento profissional. A responsabilidade continua sendo do contador e da organização contábil, que precisam interpretar as informações e seguir as normas aplicáveis.

Em um ambiente empresarial cada vez mais complexo, transformar controles em processos estruturados pode ajudar o escritório a reduzir riscos e oferecer um serviço contábil mais completo.

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24 de setembro de 2026